7 de abril de 2009

O meu olhar


O meu olhar é nítido como um girassol.
Tenho o costume de andar pelas estradas
Olhando para a direita e para a esquerda,
E de vez em quando olhando para trás...
E o que vejo a cada momento
É aquilo que nunca antes eu tinha visto,
E eu sei dar por isso muito bem...
Sei ter o pasmo essencial
Que tem uma criança se, ao nascer,
Reparasse que nascera deveras...
Sinto-me nascido a cada momento
Para a eterna novidade do Mundo...

Creio no mundo como num malmequer,
Porque o vejo. Mas não penso nele
Porque pensar é não compreender...

O Mundo não se fez para pensarmos nele
(Pensar é estar doente dos olhos)
Mas para olharmos para ele e estarmos de acordo...

Eu não tenho filosofia; tenho sentidos...
Se falo na Natureza não é porque saiba o que ela é,
Mas porque a amo, e amo-a por isso
Porque quem ama nunca sabe o que ama
Nem sabe por que ama, nem o que é amar...

Amar é a eterna inocência,
E a única inocência não pensar...

Alberto Caeiro, em "O Guardador de Rebanhos", 8-3-1914

6 de abril de 2009

Quase amor


Não sigo teus passos, pois isso me anula a pele.
Te sinto apenas, em branda espécie
Te sinto assim em cada fase de Lua
Te sinto na tempestade morna de teu ser tanquilo
Te sinto assim sem tocar, sem nada
No desmerecimento do abandono
No aconchego da saudade
Mas não sinto saudade
Por ti sinto um encanto
Uma vontade de não ser
Um não beijar
Um não afagar
Inerte, assim, tua
Lânguida
Assim, afastada de mim
Encontrada em ti
Um tua aos poucos
Um pedaço de todo
Mas tua...
Tranquilamente
Corpo morno, alma solta
Um beijo roubado de outono
Uma taça de prazer inerente
Um laço desatado
Um amor assim sem nome
Um encanto silencioso
Um espiar de manso na janela
Se vens, te tomo tranquilo
Imerso nas minhas águas
Desnuda de ventanias
Esquecida de mim, assim...
Ébria de teu calmo desejo
Silenciosa e terna
Como se não quisesse te amar
Desejando sem desejar
Querendo que voltes de longe
Ao menos te sinto perto
Neste frenesi aquático
Minhas águas tranquilas
Um corpo entregue a tua quase presença
Ao teu quase amor
Serena
Celebrando minha essência pura...


Fernanda Luz

4 de abril de 2009

"Don" da paz


Brisa leve e morna acercam teu corpo de guerreiro Inca
Na tua morenice branda de Lua
Na tua boca doce e tímida
E toco seu desejo mansamente
Com a sede saciada
Com coração nutrido
Tua doce amizade me acalenta
Nessa tua aura de mansidão e carinho
De dono da paz
De soturno felino estirado

26 de março de 2009

Gafanhotos, seca pimenteiras...


Isso mesmo, sem papas na língua.Chega um momento em que, de alguma forma temos de colocar para fora o que nos incomoda e como tenho me incomodado, viu?
Me incomodo de não dizer frente a frente essa imensidão de coisas que surgem aqui dentro de mim, mas chegou a hora. Quem sabe se algum leitor acabe se identificando com a minha causa.
Cansei, viu?
Cansei de ter ao meu lado pessoas que adoram cuidar de minha vida e pouco sabem cuidar da sua mesmo.
Sabe quando não se tem nada e ainda te invejam, ainda secam sua pimenteira?
Tolos somos nós em pensarmos que não temos nada.Não estou falando de bens materiais, não,estou falando de inveja pura.
Na verdade, creio que os invejosos pecam pela total ausência de oportunidades em sua vida, trata-se de uma admiração mortal.Ah, claro, além de lhes faltar auto estima, pois se a tivessem aos quilos em sua vida,teriam força o bastante para conquistar o que lhes é seu por direito e merecimento.
A frase que o invejoso mais usa é " por que não eu?".Ora, ele tem o que merece e tenho visto esses espécimes não raros que não merecem sequer migalha de pão, dada sua mesquinhez, dado seu egocentrismo.
Como gafanhotos proliferam em nossas vidas, arrebatam muitas vezes nossas vontades, nos desestimulam a prosseguir. Tudo aquilo que desejamos, se eles descobrirem tentam nos desestimular, porque se eles já nada têm, querem nos carregar pra dentro de seu poço de iniquidades.
Discordo dessa questão de que atraímos inveja, isso só nos gera culpa e não nos motiva a afastar de vez essa praga chamada invejoso.Alguns livros por aí mencionam o fato de termos parcela de culpa em ter esses seca pimenteiras em nossas vidas. Talvez tenhamos, sim, na medida que quando estamos esfuziantes nem nos damos conta a quem anunciamos nossas vitórias.Complicado, né? quer dizer, temos de ser absolutamente silenciosos quando nos sagramos vitoriosos em algum aspecto de nossas vidas, pois é, mas é bem assim mesmo.
Além de invejosos, há os manipuladores, os que jogam "verde para colher maduro", já que não contamos nada de nossas vidas, eles se armam de suas maldades para tirar de nós aquilo que desejam, feito isso, caem sobre nós e verdadeiramente aniquilam suas vidas.
Bichos é que não faltam para descrever esses seres: amigo urso, raposa,cobra, gafanhoto, essa verdadeiro zõo que se instala em nossa vida.
O que fazer?
Hum, que tal não abrir tanto a boca para algo que ainda não se realizou: pois eu mesma relatava minhas intenções a uma vespa, e logo em seguida, tiro e queda, a coisa minguava de tal forma...
Mas, sem beincadeiras, para que possamos evitar esses tipos em nossas vidas nada como além de buscar sempre a proteção espiritual, recorrer à arma do silêncio.
Confesso que estou em paz sem essas pragas em minha vida, meio solitária por vezes, mas é bem melhor do que pensar em ter suas conquistas ceifadas por um invejoso>

14 de março de 2009

Mais ou menos

A gente pode
Morar numa casa mais ou menos
Numa rua mais ou menos
Numa cidade mais oumenos
E até ter um governo mais ou menos

A gente pode
Dormir numa cama mais ou menos
Comer um feijão mais ou menos
Ter um trasnporte mais ou menos
E até ser obrigado a acreditar mais ou menos no futuro

A gente pode
Olhar em volta e sentir
Que tudo está mais ou menos

Tudo bem!

O que a gente não pode,
Mesmo, nunca, de jeito nenhum,
É amar mais ou menos
É sonhar mais ou menos
É ser amigo mais ou menos
É namorar mais ou menos
É ter fé mais ou menos
E acreditar mais ou menos

Senão,
A gente corre o risco
De se tronar uma pessoa
Mais ou menos.

By Chico Xavier

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