31 de março de 2010

Bicho do mato



Se toda liberdade tem seu preço, eu pago pela minha ainda que doa.
Confesso que me cansei do ranço das trocas mútuas
Confesso meu desagrado aos que se deixam esquecer
Pois, se não estão ao meu lado, apenas lhes obedeço a ausência
Cansei de ter de explicar por que minha identidade me tatuou de solidão
Sou bicho do mato e como todo animal selvagem, não se deixa tocar
Como todo bicho arisco, o toque não me alcança.
Fui domada na violenta proposta do não ser
No apoio do claustro
Na auto defesa
No meu nicho, o inimigo não adentra mais
Ainda que ele prossiga envenenando minha presença
Pertenço à raça dos implacáveis na Justiça
Ignoro reviver traumas e feridas do passado
Sou animal absoluto
Meus gritos são ouvidos na planície
Devoro minha presa
Lambo meus beiços
Não divido minha caça
Sou o bicho da gruta
Sou apenas a metaformose da fera
Minha pele de onça está colada ao corpo

Fernanda Luz

19 de novembro de 2009

Resta qui



Há vezes em que amo apenas
Amo uma presença no passado
Amo uma saudade, amo,sem cobranças
Amo o momento em que me imaginei contigo
Amo a falta que me faz
Simplesmente assim
Encantada e liberta
Não me arrependo do que não fiz
Nem do que podia ter lhe dito
Em algum lugar me ouve, sei
Sei também que sua presença no meu silêncio não me assombra
E recebo tua visita de luz no meu coração
Assim, permaneces aqui
na certeza de que nos encontraremos, quem sabe
Num momentum sem relógios
Sem pressas para voltar

Fernanda Luz

9 de setembro de 2009

Reflexão: Chaplin


A vida me ensinou...A dizer adeus às pessoas que amo,
Sem tira-las do meu coração;
Sorrir às pessoas que não gostam de mim,
Para mostra-las que sou diferente do que elas pensam;
Fazer de conta que tudo está bem quando isso não é verdade,
Para que eu possa acreditar que tudo vai mudar;
Calar-me para ouvir;
Aprender com meus erros .
Afinal eu posso ser sempre melhor.
A lutar contra as injustiças;
Sorrir quando o que mais desejo é gritar todas as minhas dores para o mundo,
A ser forte quando os que amo estão com problemas;
Ser carinhoso com todos que precisam do meu carinho;
Ouvir a todos que só precisam desabafar;
Amar aos que me magoam ou querem fazer de mim depósito de suas frustrações e desafetos;
Perdoar incondicionalmente,
Pois já precisei desse perdão;
Amar incondicionalmente,
Pois também preciso desse amor;
A alegrar a quem precisa;
A pedir perdão;
A sonhar acordado;
A acordar para a realidade (sempre que fosse necessário);
A aproveitar cada instante de felicidade;
A chorar de saudade sem vergonha de demonstrar;
Me ensinou a ter olhos para "ver e ouvir estrelas", embora nem sempre consiga entendê-las;
A ver o encanto do pôr-do-sol;
A sentir a dor do adeus e do que se acaba,
sempre lutando para preservar tudo o que é importante para a felicidade do meu ser;
A abrir minhas janelas para o amor;
A não temer o futuro;
Me ensinou e esta me ensinando a aproveitar o presente,
como um presente que da vida recebi,
e usá-lo como um diamante que eu mesmo tenha que lapidar,
lhe dando forma da maneira que eu escolher.

Charles Chaplin

8 de setembro de 2009

Poema: Clarice Lispector


Gosto dos venenos mais lentos, das bebidas mais amargas, das drogas mais poderosas, das idéias mais insanas, dos pensamentos mais complexos, dos sentimentos mais fortes… tenho um apetite voraz e os delírios mais loucos.
Você pode até me empurrar de um penhasco que eu vou dizer:
- E daí? Eu adoro voar!
Não me dêem fórmulas certas, por que eu não espero acertar sempre. Não me mostrem o que esperam de mim, por que vou seguir meu coração. Não me façam ser quem não sou. Não me convidem a ser igual, por que sinceramente sou diferente. Não sei amar pela metade. Não sei viver de mentira. Não sei voar de pés no chão. Sou sempre eu mesma, mas com certeza não serei a mesma pra sempre

Clarice Lispector

3 de setembro de 2009

O mestre e o escorpião


Um mestre do Oriente viu quando um escorpião estava se afogando e decidiu tirá-lo da água, mas quando o fez, o escorpião o picou.
Pela reação de dor, o mestre o soltou e o animal caiu de novo na água e estava se afogando de novo. O mestre tentou tirá-lo novamente e novamente o animal o picou.

Alguém que estava observando se aproximou do mestre e lhe disse:
- “Desculpe-me, mas você é teimoso! Não entende que todas í s vezes que tentar tirá-lo da água ele irá picá-lo?”

O mestre respondeu:
- “A natureza do escorpião é picar, e isto não vai mudar a minha, que é ajudar”.

Então, com a ajuda de uma folha o mestre tirou o escorpião da água e salvou sua vida.

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