6 de janeiro de 2014

Fragmentos

 

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Meu grande desencanto é quando me arrancam da preguiça, da inatividade, do não viver para me despertar com cacos de vidro na língua.
Sinceramente sou tão parca que acredito que fossem me despertar para um mundo reconstruído.

Não entendo seu discurso distraído, assim, como quem não quer nada, me diz bobagens, fala de chinelos esquecidos na chuva, de domingos requentados, de solidão coletiva, de sonhos acumulados em papeis timbrados.

Queria entender melhor o que seus olhos traduzem nessa alma nefelibata, incólume, enevoada…

Por vezes até creio, sinto, intuo que pudesse estar bem melhor depois de anos de reclusão e absurda imersão no vínculo do espelho…

Quando aqui tento recomeçar, me chega disfarçando meu caminho com espinhos sutis.

Sua alma? Não sei se possui, esse seu universo tão do avesso, tão desamor, tão distante do que julga se real.

Eis que me arrancou de mim e exposta novamente estou à dúvida de não me reconhecer.

Não sei se inimigo, se vilão, só sinto que seu grande trofeu é de mostrar ao mundo que me tirou de mim mesma, que me tirou da solitude para refletir sobre seu mundo absurdamente imediato…

E eu aqui, catando restos de palavras pelo chão, pois nem expressar com mansidão sobre o mundo consigo.

Não me entendo, não me sinto, não me reconheço.

Me nego, me calo, perdi a força da vida, pois boa parte das vezes passo o dia me culpando por tudo aquilo que acredita saber de verdade.

Sim, talvez haja me arrancado das certezas, buscado rumores sutis de um passado dolorido.

Não sei se te oferto mel, de repente o mel em sua boca seria o grande veneno para sua morte.

Fernanda Luz

4 de janeiro de 2014

Gauche, eu? Não!

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E digo ao Destino:
- Sinto muito, não quero ser mais "gauche" na vida!
Fernanda Luz

Lobos

 

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Percebo que as máscaras alheias se modificam, mas por detrás delas,a mesma excrecência, a mesma aberração repentina e quase eterna.
Lobos, os conheço de longe, pois já tive à pele teu mesmo instinto.

Fernanda Luz

17 de dezembro de 2013

Beijo do avesso

 

E eis que chega um dia que não temos em nós o dom de revelar, mas sim, de nos deixar revelar, nos deixar iluminar pela doçura, pelo toque essencial do abraço atrasado. Aquele que esperamos por longa data. Um jeito de corpo meio tácito,um calor reconhecido apenas, uma rememória, talvez... Um beijo do avesso... Silenciosos, ouvimos sem pressa o som da quietude. Esquecemos do sofrimento, sim! Não tecemos augurios, suspiros sufocantes, nem gritos lunares...

Fernanda Luz

16/12/2013

11 de setembro de 2013

Gota de coragem

 

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Então, no relógio marcava o ontem, passei adiante, quase tropecei, mas segui em frente...
Deu vontade de chorar, mas sequei as lágrimas, me levantei, corri, abri a porta que selava o coração: nome dela era coragem.
Ela tinha aroma de laranja, apresentava-se sorrindo, meio cheiro de mãe...odor de capim molhado...


Fernanda Luz

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